Eng. Civil de formação inicial, é na música e no ensino que Joel Vilarinho Zão se realiza.
Coordena desde 2013 um projecto inovador que tem dado cartas na dinâmica cultural do concelho, sendo presidente da direcção do NICE (Núcleo de Intervenção Cultural de Esposende) desde a sua fundação.
Um grupo de amigos sonhou colocar Esposende no mapa da cultura “alternativa”, cada vez mais em voga entre as camadas mais jovens e informadas, que ansiavam por uma programação original que pudesse ir ao encontro das suas necessidades.
Em 2013, o sonho viu a luz do dia, e desde então, tem vindo a reforçar o seu peso e importância, aumentando cada vez mais o número de seguidores, afirmando lugar na programação cultural da região.
Na sua génese o NICE procura ser um núcleo aberto, onde a população da cidade possa encontrar espaço para desenvolver os seus projetos, um organismo capaz de estabelecer uma programação diversa, alternativa e coerente.

 

Como surgiu a ideia de criar um “núcleo de intervenção cultural” em Esposende?
O NICE começou em 2013 mas a vontade e a ideia começam um ano antes devido à necessidade que sentíamos de procurar e consumir cultura fora da cidade. Todos estávamos relacionados ou com projectos musicais ou com áreas como as artes plásticas, a fotografia ou a arquitectura, pelo que decidimos criar um evento interdisciplinar: o “Festival Esvoaça”. Esse evento culminou com a formação institucional da associação, com a sigla NICE.

Em que âmbito fazem a vossa intervenção?
A música parte da génese do projecto. Em 2012, o Noitibó foi o manifesto e o mote para a sua criação. Em 2014, realizamos dois ciclos de cinema tentando inaugurar o “Cineclube de Esposende”. Temos colaborado também com outros organismos, como: a Musicórdia e o Festiteatro em Esposende, o mARTE em Barcelos e o BINNAR em Famaliacão . Em 2016, fizemos um evento de dimensão mais alargada, o Festival NAA (Novas Artes Associadas) e em 2017, surge a primeira edição das Atlantic Live Sessions.

Em que consistem as Atlantic Live Sessions?
São concertos de cariz intimista, pensados para espaços reservados, e para um público mais reduzido. Realizam-se tanto em locais públicos como privados, porque entendemos a importância de um fluxo de programação entre o privado e o público. As Atlantic Live Sessions começam em 2016 em colaboração com diversos agentes e parceiros, nacionais e internacionais “apanhando” os artistas em trânsito e fazendo de Esposende paragem obrigatória. Hoje em dia, temos já um público regular que tem vindo a crescer.

O Dia NICE, é algo muito importante para a divulgação do vosso trabalho…
No Dia NICE teremos um espaço dedicado a um mercado artístico, que pretende mostrar trabalhos de diferentes áreas: fotografia, fanzines, ilustração, pintura, música, livros, uma grande oferta… Os artistas são convidados a expor o seu trabalho e também a vende-lo. Teremos também uma oficina dedicada às crianças e famílias e um workshop de percussão, para além de uma sessão de yoga encerrando com vários concertos: Cachupa Psicadélica, Máquina del Amor e os esposendenses School Bus Drunk Driver. Teremos depois um “After Day” onde iremos continuar a festa no Dunas Bar (parceiro deste ano) com a colaboração do projecto bracarense “Mundo daqui pra fora”, com o belga REBEL UP SEBCAT. O dia NICE é um dia aberto a todos e uma forma de nos darmos a conhecer.

Quais os próximos projectos?
Para além do Dia NICE e do seu Warm Up (4 de Agosto no Dunas Bar), este ano as Atlantic Live Sessions acontecem em dois momentos: o primeiro entre Abril e Julho, terminando esta sexta-feira com Cintaadhesiva no Auditório da Biblioteca Municipal, e um segundo entre Setembro e Dezembro, tentando desta forma contrariar a sazonalidade não só dos eventos em Esposende mas também do fluxo de turistas e outros visitantes. Nesta tentativa de “descentralização” da nossa programação, estaremos presentes nas Jornadas do Património no dia 29 de Setembro, com a nossa mostra intitulada “Ingénua”. Esta nasce da vontade de revisitar o processo criativo do artista popular esposendense Franklin Vilas Boas. Alguns artistas da nova geração estão a ser convidados para trabalhar sobre a sua obra com materiais que provém do rio e do mar como outrora ele o fazia. No dia 6 de Outubro teremos o grande concerto de JP Simões no Auditório Municipal de Esposende. Este concerto do músico e poeta eclético, referência maior para todos nós, terá a abertura a cargo do projecto Haema da esposendense Susana Nunes. Nos últimos três meses do ano retomaremos as sessões de cinema (documental, curta-metragem, animação…) e para além de outras intervenções teremos o nosso Be Land in Diapazão (10 de Novembro), sob o mote de uma festa de anos diferente…

Quais os vossos principais desejos para o futuro do NICE?
Desde o início um dos principais objetivos do NICE passa pela criação de um espaço, uma sede, onde possamos partilhar ideias, conversas, experiências, contactos, no fundo um lugar onde a criação surja. Para além disso, para a estabilidade e crescimento, sonhamos com um espaço regular de programação. Queríamos continuar a estar atentos às tendências e ao que de melhor se faz em todas estas áreas. Fica o apelo a quem tiver projectos na área artística para partilhar, apresentar ou colaborar directa ou indirectamente connosco.

Gostaria de deixar uma mensagem ao público que vos segue?
Estejam atentos. Para além do concerto de sexta-feira, 20 de Julho, o Dia NICE na Arena da Casa da Juventude, começa às 10h da manha e termina…na madrugada do dia seguinte!

 

Inês Soares
Publicado no Jornal Esposende Semanário

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