RWM – Gostava que nos falasse um pouco sobre esta colecção…
FF
– Esta colecção tem a ver com a chegada dos portugueses ao Japão, no sec. XVI. Não tanto o tentar reproduzir uma silhueta da época, mas a importância que deveria ter sido aquilo que se veste quando a língua não é a mesma. Representa uma mulher que gosta de viajar e que imediatamente absorve a informação dessa viagem. Se vai ao Japão, no dia a seguinte está a vestir um kimono com algo que trouxe de casa…uma mulher que gosta de surpreender, que gosta de seduzir. A contradição é feita também através dos materiais, que são muito tecnológicos como a lycra reflectora (dos leggings), tecidos com banhos de alumínio ou cobre em contraste com tecidos clássicos e muito femininos como a mousseline de seda, o crepe de china e o veludo, que introduzi pela primeira vez.

RWM – A inspiração?
FF-
São os biombos Namban. Eu faço os recortes, coloco-os todos na parede, e deixo-me influenciar pelo género de imagens…Os homens naquela altura vestiam-se como as mulheres se vestem hoje, portanto foi fácil fazer essa transposição.
Para mim, o tema serve apenas como ponto de partida…
Sei do que as minhas clientes gostam e isso é filtrado por um determinado número de coisas, que se repararem são clássicos, como por exemplo os plissados que estão presentes em todas as minhas colecções…

RWM -Então, tem em conta as correntes de gosto?
FF
 -Sempre! Eu estou a par de tudo, isso é fundamental.

RWM _ O que significou para si o regresso a Lisboa (da ModaLisboa)?
FF 
_ Adorei o facto de voltarmos a Lisboa! Sente-se uma excitação nas pessoas, é muito bom estar aqui no Terreiro do Paço, ao pé do rio, onde tudo se passou. Tem estado um bocadinho abandonado, e eu espero que agora vá animar!

RWM – Qual é a sua opinião em relação à moda portuguesa? Acha que estamos no bom caminho?
FF
 – Eu acho que sim, nós estaremos no bom caminho quanto mais conseguirmos seduzir a mulher portuguesa. Conseguirmos que esta vá à nossa loja e compre moda portuguesa, é um passo.

RWM –  Qual será o perfil das suas clientes?
FF –
A mulher que veste Filipe Faísca é uma mulher hiper-informada que compra lá fora a maior parte das coisas, mas que por comprar muito, gosta de diferença.

RWM – Para terminarmos, gostaria de saber quais são os seus próximos projectos, o que vai fazer a seguir?
FF –
Vou vestir uma Santa, a Nossa Sra. dos Prazeres! (É um projecto da Diocese de Beja). Convidaram-me para vestir a Nossa Sra. dos Prazeres nas várias estações litúrgicas, portanto são oito fatos. É uma boneca de 90 cm, e é excitante porque é um objecto que tem um culto, e é necessário fazer uma pesquisa, já que o povo deposita imenso dele ali! É sem dúvida um desafio!

Inês Soares

Foto: Rui Vasco/ ModaLisboa 34

 

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