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Grupo Amador de Teatro JUM estreia “Circulo de Caça”

Com encenação de Eva Fernandes e Jorge Alonso, o grupo de amador teatro JUM levou a cena a peça “Circulo de Caça” do conceituado autor italiano Eduardo de Filippo, Sábado, 30 de Junho, no Salão Paroquial de Marinhas.
A sala encheu-se para assistir a uma “farsa” muito divertida que arrancou gargalhadas e aplausos da plateia, tanto pelo enredo, como pela vertente cómica dos actores.
O respeitoso clube de caça, não é mais do que um disfarce inusitado para uma casa de jogo clandestina, onde a falta de subtileza de um “sonso”, apesar de contratado para ajudar nas artimanhas do dono da casa, irá colocar a descoberto através da sua ingenuidade, as “patifarias” dos malandros…
No âmbito do programa CEARTE, o Município de Esposende – em parceria com os grupos de teatro amador do concelho – tem vindo a apoiar a promoção de vários espectáculos que para além de dinamizarem os espaços, envolvem toda a comunidade.

Entrevista a João Torres, coordenador do Grupo de Teatro Amador JUM

Já pertenceu à direcção do Centro Social Juventude Unida de Marinhas e coordena há vários anos o Grupo Amador de Teatro JUM, ao qual também pertence enquanto actor.
Advogado de profissão, João Torres fala-nos um pouco sobre a história do seu grupo de teatro, as dificuldades em conciliar este interesse com o quotidiano dito “normal”, a paixão e entusiasmo partilhado com os colegas, a cumplicidade que os une e a emoção de cada estreia.

– Poderia falar-nos um pouco sobre a história do Grupo Amador de Teatro JUM?
JT – O nosso grupo tem seguramente mais de quarenta anos, é um grupo que esteve nas origens do que é hoje o Grupo Social da Juventude de Marinhas. O núcleo duro é composto pelas mesmas pessoas que começaram quando eram mais novos. Já os seus pais faziam teatro nas Marinhas… não apenas no salão paroquial. Qualquer espaço, qualquer garagem (sobretudo em Rio de Moinhos) servia para representar. No fundo, é uma tradição. É um grupo que nasceu do teatro amador de revista popular.

– Em que medida o programa CREARTE e a parceria com a Câmara Municipal de Esposende foram uma mais-valia para este projecto?
JT – O apoio do projecto CREARTE é essencial, porque veio melhorar o nosso nível de espectáculo. Até há bem pouco tempo éramos nós que fazíamos tudo. Ao nível do guarda-roupa tivemos uma mudança radical, o Jorge e a Eva (encenadores do programa CREARTE) trouxeram um elemento novo, e realmente antes não tínhamos essa qualidade. Não havia essa perspectiva, não havia gente de fora, não tínhamos esse contributo. Todos os que “estavam lá dentro” eram actores e encenadores, com todas as vantagens e desvantagens que isso trás.

– Quantos elementos fazem parte do grupo?
JT – O nosso grupo não tem uma estrutura de membros fixo, dependendo das peças vamos buscar pessoas que já participaram anteriormente, ou recebemos novos actores. Neste momento temos as portas abertas a membros novos, porque devido a compromissos profissionais, há sempre pessoas que deixam de poder participar. Nos últimos quatro, cinco anos, teremos tido mais de cinquenta pessoas envolvidas no grupo. Já tivemos peças com trinta elementos em palco, ainda que dez estivessem a fazer figuração.

– O grupo actua normalmente no âmbito do concelho de Esposende, ou também fora?
JT – Já circulámos mais aqui pelo concelho, mas agora, até pela própria estrutura do cenário da última peça que é pesadíssimo, teríamos de contar com a ajuda da Junta de Freguesia ou da Câmara Municipal. Toda a logística seria complicada. Ao longo dos últimos anos temos tido algumas actuações, mas sempre em Esposende e Marinhas. Estivemos em Belinho, em Palmeira, mas é sempre complicado porque à medida que o grupo aumenta, aumentam também os impedimentos de agenda. Há actores que trabalham ao fim-de-semana, ou por turnos, e quando os horários se sobrepõe aos ensaios, acaba por ser muito difícil fazer essa gestão.

– Como é que se organizam, tendo todos actividades profissionais e horários diferentes?
JT – Esse tem sido um trabalho activo da parte dos encenadores, que fazem escalas semanais para perceber os horários em que cada um está disponível para ensaiar, porque é muito difícil estar toda a gente.

– Como é feita a calendarização das estreias?
JT – Cada um dos grupos de teatro envolvidos no projecto CREARTE tem como compromisso estrear na sua própria freguesia de forma a abarcar logo uma grande parte do público, para que depois possamos vir a Esposende no âmbito do Festival de Teatro (em Outubro, Novembro) e nessa altura, estaremos todos presentes com a apresentação das nossas peças.

– Como definem o vosso estilo?
JT – Temos feito largamente comédia. Já fizemos uma peça histórica em que andámos dois anos em actuações. Essa peça (“9 de Abril” ou “Coração Lusitano”) foi escrita por alguém de Esposende (Armindo Eiras). Os personagens eram gente de cá, e o contexto era a partida dos jovens do concelho de Esposende para a 1.ª Grande Guerra. Essa peça tinha um forte peso dramático, mas com vários momentos engraçados. A comédia é um registo mais ligeiro e mais agradável nos tempos que correm.

– O que é que vos move?
JT – Há um grande espírito de camaradagem e cumplicidade. Há alturas em que ensaiar cinco vezes numa semana é cansativo, principalmente para quem tem vidas familiares preenchidas. Há cansaço e sacrifício, mas também é um gosto principalmente pelo prazer da estreia, que é o que move tudo isto. Monta palco, desmonta palco, veste roupa, treme  por todo o lado…mas quando se vê a sala cheia, compensa tudo!

– Quais são os vossos maiores desafios ou dificuldades?
JT – Em relação aos desafios, temos a vantagem de não precisamos de viver de subsídios. Claro que este apoio da Câmara Municipal é importantíssimo, mas a verdade é que não precisamos propriamente de ajuda financeira. Temos a nossa actuação e o valor angariado na bilheteira. Como não temos grandes despesas, pagamos as nossas contas e o resto, fazemos por “carolice”. A maioria das actuações que temos feito, excepto a da estreia, são de cariz solidário. As dificuldades, serão provavelmente gerir as agendas de todos, e os nossos próprios feitios. Quando conciliamos ambas as coisas, a peça vai em frente!

– O que é que diria aos jovens que ficaram com vontade de ir a um casting do vosso grupo?
JT – Apareçam!…E levem as coisas a brincar!

 

 

Inês Soares
Publicado no jornal Esposende Semanário

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Inês Soares
Publicado em Esposende Semanário

 

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