O  Tangran (quebra-cabeças geométrico de origem chinesa) dá origem a uma colecção de peças estruturadas e com volume, não descurando o que pode já ser considerada a assinatura Katty Xiomara: a fluidez, as pregas, os folhos…e a femililidade.

RWM – Como se sente depois de mais um desfile?
KX – Bem, é um alívio! Passa rápido, mas antes disso há muito trabalho, por isso quando acaba é um alívio.

RWM – Pode falar-nos sobre esta colecção?
KX – Esta colecção é um pouco mais estruturada, mais geométricas, mais gráfica, sobretudo comparada à de Verão que era extremamente romântica.
A mulher continua muito feminina só que com outro ponto de vista, com um ponto de vista mais citadino, talvez.

RWM – As suas influências, quais são?
KX – Eu vou filtrando a informação e reparo em pormenores que vão ficar armazenados, até encontrar o ponto certo para a iniciação da história da colecção.
Nesta muito especifica é o Tangran, um quebra-cabeças de origem chinesa, em que figuras geométricas dão origem a outras figuras geométricas, e com essas figuras conseguimos formar um número bastante grande delas. Com base nesse descobrir de formas, foi feita a colecção.
Peças mais estruturadas, mais rectilíneas, com algum volume, mas não descurando o que pode já ser considerada a assinatura Katty Xiomara: a fluidez, as pregas, os folhos, só que com um pequeno twist.

RWM – Tem em conta as tendências da moda e as correntes de gosto para desenvolver o seu trabalho, ou é pura inspiração?
KX – De leitura, de consulta, não. Mas eu acho que isso me chega, nem sempre é necessário fazer uma leitura. Por vezes basta o visionar de revistas de decoração, de arquitectura, de design gráfico (eu adoro!)
Essas coisas remetem-nos um bocadinho à tendências a seguir, mas não vou procurar a minha paleta de cores a uma paleta já estruturada.

RWM – Que características da sua personalidade acha que estão patentes no seu trabalho?
KX – Eu acho que quase todas ou todas, é muito difícil desligar-me ou fazer a divisão vida pessoal/ vida de trabalho.

RWM – Quando desenha, desenha para si?
KX – Não, há peças da minha colecção que eu não conseguiria usar, até porque eu sou pequenina, tenho as minhas limitações…Não desenho para mim, mas é obvio que se calhar…
Às vezes perguntam-me “porquê tantos vestidos curtos, porquê tantas pernas à vista?” Talvez por eu ser pequenina e realmente sentir a necessidade de me sentir maior e as peças curtas favorecerem mais.
E porque acho que as pernas da mulher são bonitas, são para se mostrar, e sobretudo no Inverno que temos estes truques fantásticos que são os collants, que ajudam a esconder outras coisas…

RWM – Em que outros projectos está envolvida para alem da preparação da próxima colecção?
KX – Há alguns projectos, mas para já não vou dizer…! O mais imediato é amanhã. Partimos para o Japão e vamos estar numa espécie de feira organizada pela União Europeia. Já estivemos presentes no ano passado e esperamos que agora os resultados sejam mais palpáveis. É realmente um mercado em que tem de ser ter muita paciência e muita insistência, e cá estamos nós para isso!

RWM – Qual é a sua opinião em relação à moda portuguesa quando comparada à estrangeira? Quais são as maiores dificuldades com que os criadores portugueses se deparam?
KX – Eu acho que qualidade nós temos imensa, e como existe alguma diferenciação entre nos, não é difícil perceber quem é quem, há mercados para cada um de nós, mas há dificuldades sem duvida, há dificuldades para evoluir com a nossa criatividade!

Inês Soares, Fotos: Rui Vasco/ ModaLisboa

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Texto: Inês Soares/ Fotos: Rui Vasco

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