Era uma vez uma ideia. Essa ideia correu para o papel, do papel para a tesoura, da tesoura para o tecido, e assim surgiu a peça Amilod Zareg. Mas para que a história se complete é preciso contar que essa ideia tinha uma amiga: a Senhora Ecologia, sempre preocupada com o ambiente e o futuro da sociedade.
Ora um dia, lá para os lados de Amilod Zareg, as duas aliadas repararam que no baú da mãe (que já tinha sido da avó) havia um sem fim de roupa à espera de ser recriada e renascer em novas peças de design com aquele toque que faz toda a diferença!
Moral da História: melhor do que vestir algo sem passado, é vestir uma peça única que só tu sabes a história e contas a quem queres: “Diz-me o que vestes, dir-te-ei quem és.”

RWM  – Como surgiu a marca Amilod Zareg, e qual o conceito?
MT
  – A minha marca surgiu devido à necessidade de apresentar os meus produtos, eu tenho um estilo muito romântico, muito feminino, e ao mesmo tempo muito urbano. A ideia é conciliar o ar sofisticado com o urbano.
RWM – Como surgiu a moda na tua vida?
MT 
– Eu não sei explicar muito bem, sei que andava no secundário quando decidi que queria ir para design de moda. Comecei por uns desenhos, uns croquis, (umas bonequinhas vestidas). Fui estudar no ensino superior p design de moda, embora desde sempre tenha tido aquelas brincadeiras com as roupas, sem pensar que queria vir a ser designer de moda.
RWM – Quando terminaste o curso curso, qual foi o processo?
MT
– Eu estudei em Castelo Branco quatro anos, fiz Erasmus durante esse percurso, quando estava no meu último ano participei no programa DesignMais, e vim para uma empresa cá no Porto onde estive dois anos. Quando sai da empresa estive um ano a decidir o que ia fazer, dei aulas durante esse tempo. Entretanto, comecei a fazer algumas peças que coloquei em lojas no quarteirão Bombarda, e surgiu então a hipótese de criar a minha própria loja, há cerca de um ano e meio.
RWM – Como apresentas as colecções?
MT
 – Apresento em Setembro a de Inverno, em Março a Primavera/ Verão, e depois vou sempre acrescentando peças.
RWM – A confecção também é tua?
MT
– Tenho uma modista que trabalha comigo a nível de confecção, mas a parte de modelagem e desenvolvimento da colecção já é minha.
RWM – Começas pelo desenho, pela escolha de tecidos,..como é para ti o processo criativo?
MT –
Primeiro há muita investigação para pensar que tema. Tem de haver sempre um estudo para pensar nas cores, nas formas, e só depois vejo que tipo de materiais vou utilizar e faço o desenvolvimento dos desenhos a nível de croquis…e depois é o processo natural.
RWM – Tens um estilo muito próprio…também te guias pelas tendências de moda?
MT
– Tenho que as ter em consideração, mas dar-lhes a volta.
RWM – Como defines o seu público alvo?
MT
– Acho que é uma mulher c uma personalidade muito própria, e que sabe muito bem o que quer, que valoriza o pormenor, uma peça bem feita.
RWM  Na moda portuguesa, que estilistas costuma acompanhar?
MT
– Dos Storytailors, eu gosto imenso! A nível de criadores cá do Porto, o Luís Buchinho. Considero que ele tem um estilo muito interessante. Gosto da Alexandra Moura, também porque tive ligação com ela na universidade em Castelo Branco, e gostava muito do trabalho do Miguel Flor.
RWM – Quais são os teus objectivos? Onde gostavas de chegar?
MT
– Gostava de continuar o que estou a fazer neste momento…claro que quero subir sempre a nível de qualidade! Gostava de trabalhar a parte dos tecidos feitos manualmente e introduzir isso nas peças, mas não é para já… Continuar com este processo e cada vez mais trabalhar para uma pessoa predefinida, fazer um trabalho de personalização de vestuário.
RWM – Achas que o publico em geral esta vocacionado para a moda portuguesa?
MT
 _ Não é o público em geral, é um público específico, e esse, está!

(2008/ arquivo)

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