Entre os dias 8 e 11 de Março, Lisboa foi palco da 38ª edição de um dos eventos de moda mais aguardados em Portugal.

Sob o tema “Freedom”, uma alusão à “liberdade criativa” e à necessária “revitalização conceptual” que se impõe perante o movimento de mudança a que não podemos ficar indiferentes.

Na Praça do Município, apresentaram-se as propostas para o Inverno 2013 pelos criadores nacionais.

Entre os nomes habituais bem conhecidos do público, cuja assinatura recortada em tecido é facilmente identificável, desfilaram novos nomes, com projectos jovens e urbanos, em silhuetas alternativas e inovadoras.

O espaço Lab da ModaLisboa tem vindo a revestir-se de uma importância crescente para o futuro dos novos designer, que vêem neste espaço a rampa de lançamento para um contacto mais alargado com o público e uma maior projecção nacional e internacional do seu trabalho.

No geral, as paletas sóbrias e neutras dominaram. Black is Beauty, cinzas e azuis, em contraste com amarelo, laranja e néons.

Propostas mais ou menos sofisticadas, onde o ultra feminino inspirado num certo revival vintage pede cinturas bem marcadas e saias ou vestidos evasé, longos, curtos ou acima do joelho.

Casacos e tranch coats, fechos metalizados, tecidos e estamparia tecnológica, styling dirty chic.

 Say My Name abre o primeiro dia de desfiles com uma colecção urbana e descontraída inspirada nos samurais.

Tops oversized com grandes ombros, silhuetas kimono, casacos-armadura coordenados com leggings e assimetrias em blocos de cor trabalhados em feltro tecnológico 3D, nylon, malhas e jersey.

Seguiu-se a dupla White Tent, presente há já alguns anos no evento, continua a afirmar-se como uma marca de forte potencial na linha “cool-street-casual” numa atitude desportiva e minimal em que o jersey é o material de eleição.

Lidija Kolovrat, é há muito uma referência no panorama “conceptual”. Surpreendeu pela criatividade e originalidade de detalhes, como as extensões de cabelo aplicadas como plumas nos chapéus e a estamparia de padrões tecnológicos.

Desconstrução. Oposição entre estruturado e drapeado. Uma colecção cheia de simbolismo, em que os elementos são depurados e readaptados às necessidades do corpo.

Vítor, numa sequência mais “negra” do seu trabalho anterior, encena a sua própria morte convidando-nos a “participar” no funeral. “Life and dead”, numa celebração à vida, desenha-se em materiais sintéticos e algodões.

A encenação da ópera “Os Burgueses”, em palco no terceiro dia da Moda Lisboa, reflecte-se na temática “casa”.

Cool-chic, numa colecção urbana e muito feminina com um toque de descomprometida sofisticação…

Daniel Dinis, parte da reciclagem e de um certo espirito nómada (“num mundo que perdeu simplicidade e ritmo”) para criar uma colecção masculina onde podemos reconhecer elementos alusivos ao Tibete.

Lãs, malha de algodão, jersey e tecidos feitos a partir de sobras de materiais utilizados nas colecções anteriores. Cachecóis, luvas e gorros manufacturados.

Ricardo Andrez, ainda em versão moda-homem, traz-nos um Inverno em tons terra. Cores fortes em looks descomprometidos, numa colecção que se verificou mais comercial do que as anteriores.

Após ter estado presente na semana de moda de Londres, a dupla Marques’Almeida (Marta Marques e Paulo Almeida) apresentou-se pela segunda vez na Modalisboa.

Partindo da década de 1990 e da “cena musical grunge de Seattle”, como inspiração, recriaram “formas icónicas da ‘street culture’” dessa década, como camisolas ‘oversize’, t-shirts e jeans para construir uma identidade “cool, jovem, ‘effortless’ e contemporânea” em que o denim surge como material de eleição.

Um interessante movimento conceptual em que a mensagem surge expressa de forma simbólica e o vestuário é desconstruído. Elementos assimétricos, destruturados, desfiados, e recortes rasgados, em tonalidades de negro, cinza e amarelo.

Entre os nomes habituais, mais óbvios e mediáticos como Katty Xiomara; Nuno Gama; Pedro Pedro; Ricardo Dourado; Maria Gambina; Alexandra Moura; Filipe Faísca e Dino Alves; destaco Luís Buchinho (que mostrou a Portugal a colecção apresentada em Paris inspirada no grafismo da calçada portuguesa); Miguel Vieira, que vestiu o fado de forma sofisticada e foi por muitos considerado o melhor desfile do evento; a elegância glamourosa de Nuno Baltazar; Ricardo Preto e a apresentação de Valentim Quaresma.

Inês Soares

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